segunda-feira, 29 de novembro de 2010

"MENTES MODERNAS"

Viver ou juntar dinheiro – Max Gehringer

Viver ou juntar dinheiro?

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente. Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais.

Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.

Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis. Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

“Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO”

Que tal um cafezinho?


Max Gehringer


"Ah, se o mundo fosse assim tão simples, beirando o simplismo, como parece pensar o velho Max.

Mas, claro, ele tem razão. É verdade.
Para que juntar dinheiro para uma velhice digna, independente e segura, não é mesmo?

Afinal, como somos jovens, podemos nos dar ao luxo de perguntar: Quem precisaria de dignidade depois dos 61?

Por que se preocupar, não? Afinal, a saúde pública no Brasil é tão boa quanto a da Suécia.

E não é para isso que servem os filhos? É claro que eles não têm direito à tranquila independência!

Terão obrigação de cuidar de nós, dependentes velhos e doentes, e ainda por cima, pobres.
Quem se importa? Pelo menos estaremos felizes porque gastamos bem nosso dinheiro, para fazer as coisas mais importantes da vida: “Viajar, comprar roupas caras, nos esbaldar em itens supérfluos e descartáveis…”.

Ora, permito-me discordar do velho Max.
Infelizmente as coisas são bem mais complexas… E, dentre os itens que compõem o pacote da felicidade, para muitos, como eu, figuram itens como: preocupação para com os demais, segurança, manutenção de independência ante circunstâncias adversas (redução de mobilidade, impedimentos decorrentes de AVC, etc), paz de espírito, a confiança de ter feito a coisa certa, e de viver para além do mero epicurismo dos rasos de espírito.

Não apenas nas cigarras, há sabedoria nas formigas e abelhas: um espírito gregário que tanta falta faz nesses tempos de individualismo egoista e raso espontaneísmo.

Permito-me celebrar as tão fora de moda virtudes da previdência e da prudência, plenamente ciente de que um dia hão de florir de novo nas pradarias."

Vale a pena ler conferir este e outros comentários sobre este artigo:

http://www.mentesmodernas.com.br/viver-ou-juntar-dinheiro-max-gehringer.html

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Como tornar a nossa prática "desejante"






"Só quem deseja fortemente identifica os elementos necessários á realização de sua vontade"

Antonio Gramsci



Incorporei este pensamento na época da minha formação acadêmica.

Tive a sorte e a honra de conhecer a prática profissional e trabalhar ao lado destas " grandes mulheres":

  • Mercedez Ciwinsky, formada na FAPPS/SCS, ex-professora desta instituição, da qual também fui aluna periodo de 1996 a 2001, ex- secretária de ação social da prefeitura municipal de Santo André, gestão Celso Daniel, consultora e pesquisadora IEE/PUC SP, foi a minha inspiração, o meu primeiro contato com a atuação profissional do assistente social em comunidade;
  • Miriam Belckior, mulher guerreira, ex-secretaria de planejamento da prefeitura municipal de Santo André, gestão Celso Daniel, braço direito do presidente Lula, responsável pelo PAC, foi nomeada Ministra do Planejamento do Governo Dilma Rousseff.


Estes exemplos de Fé, garra e persistência tornam a nossa prática " mais desejante":


" Tornar a prática mais desejante...
Desejo é vida, é expressão da vitalidade, de movimento... é componente fundamental da prática.

Se não produzirmos uma prática desejante, quem desejará?

Quem procurará aproxirmar-se de um profissional que não coloca vida em suas ações?"

Maria Lúcia Martinelli/2001

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Minhas reflexões"




“ O Futuro não é um presente, é uma conquista”

Harry Lauder

Todos os dias, ao despertar, agradeço a Deus por ter a oportunidade de ser feliz e lutar por tudo que acredito. Hoje estou inspirada e resolvi fazer uma reflexão especial. O livro “ Os donos do Futuro”, de Roberto Shinyashiki aponta valores fundamentais. Segundo o autor o sucesso se torna importante quando Vc sente a sensação de amor dentro de si; quando se dá o respeito e se percebe realizando uma missão.

Para Shinyashiki o Ser Humano pode crescer, fazer com que a sua vida seja melhor, construir sua felicidade, sem esquecer seus princípios:

“Sabedoria é ser dono do sentido que se dá aos acontecimentos.

Maturidade é o que se aprende com esses sentimentos.

Sucesso é conseguir o que Vc quer.

Felicidade é conquistar o que Vc precisa.

A vitória é conseqüência de uma atitude produtiva diante da vida.

Os donos do futuro aprendem com suas experiências de vida.”

Russell dizia “ Para que repetir os erros antigos quando há tantos erros novos a cometer”.

O trabalho é o principal caminho para a realização pessoal, porém ganhar dinheiro nem sempre proporciona uma realização. Por meio do trabalho podemos reivindicar respeito, algo que dá sentido a vida e a certeza de que está fazendo e construindo algo bom para a sua vida e para a sociedade.

Ninguém é de ninguém”. É maravilhoso usufruir da liberdade de expressão, do direito de ir e de vir. Ser livre e Feliz!!

A evolução do papel da mulher na história


Ao fazer algumas pesquisas sobre o papel da mulher na sociedade ao longo da História a partir da década de 40, fui tomada pela curiosidade de estudar este papel desde as civilizações antigas; para tanto fui buscar material consistente que traçasse o perfil dessa mulher dentro da sociedade em diferentes épocas.

Na espécie humana temos o ser masculino e o ser feminino. A reprodução da espécie humana só pode acontecer com a participação desses dois seres. Para perpetuar a espécie, homens e as mulheres foram criando uma relação de convivência permanente e constante. Surgiu com o desenvolvimento da espécie humana, a sociedade humana. A sociedade humana é histórica, muda conforme o padrão de desenvolvimento da produção, dos valores e normas sociais.

Desde que o homem começou a produzir seus alimentos, nas sociedades agrícolas do período neolítico (entre 8.000 a 4.000 anos atrás), começaram a definir papéis para os homens e para as mulheres. Nas sociedades agrícolas já havia a divisão sexual do trabalho, marcada desde sempre pela capacidade reprodutora da mulher, o fato de gerar o filho e de amamentá-lo. O aprendizado da atividade de cuidar foi sendo desenvolvido como uma tarefa da mulher, embora ela também participasse do trabalho do cultivo e da criação de animais.

Surgem as sociedades humanas, divididas em clãs, em tribos e aldeias. Na fase pré-capitalista o modelo de família era multigeracional e todos trabalhavam numa mesma unidade econômica de produção. O mundo do trabalho e o mundo doméstico eram coincidentes. A função de reprodutora da espécie, que cabe à mulher, favoreceu a sua subordinação ao homem. A mulher foi sendo considerada mais frágil e incapaz para assumir a direção e chefia do grupo familiar. O homem, associado à idéia de autoridade devido a sua força física e poder de mando, assumiu o poder dentro da sociedade.

Surgem as sociedades patriarcais, fundadas no poder do homem, do chefe de família. A idéia de posse dos bens e a garantia da herança dela para as gerações futuras, levaram o homem a interessar-se pela paternidade. Assim, a sexualidade da mulher foi sendo cada vez mais submetida aos interesses do homem, tanto no repasse dos bens materiais, através da herança, como na reprodução da sua linhagem.

A mulher "passou a ser do homem" como forma dele perpetuar-se através da descendência. A função da mulher foi sendo restrita ao mundo doméstico, submissa ao homem. As sociedades patriarcais permaneceram ao longo dos tempos, mesmo na sociedade industrial.

Porém, nas sociedades industriais o mundo do trabalho se divide do mundo doméstico. As famílias multigeracionais vão desaparecendo e forma-se a família nuclear (pai, mãe e filhos). Permanece o poder patriarcal na família, mas a mulher das camadas populares foi submetida ao trabalho fabril. No século XVIII e XIX o abandono do lar pela mães que trabalhavam nas fábricas levou a sérias conseqüências para a vida das crianças. A desestruturação dos laços familiar, das camadas trabalhadoras e os vícios decorrentes do ambiente de trabalho promíscuo fez crescer os conflitos sociais. A revolução industrial incorporou o trabalho da mulher no mundo da fábrica, separou o trabalho doméstico do trabalho remunerado fora do lar. A mulher foi incorporada subalternamente ao trabalho fabril. Em fases de ampliação da produção se incorporava a mão de obra feminina junto à masculina, nas fases de crise substituía-se o trabalho masculino pelo trabalho da mulher, porque o trabalho da mulher era mais barato.

As lutas entre homens e mulheres trabalhadoras estão presentes em todo o processo da revolução industrial. Os homens substituídos pelas mulheres na produção fabril acusavam-nas de roubarem seus postos de trabalho. A luta contra o sistema capitalista de produção aparecia permeada pela questão de gênero.

A questão de gênero colocava-se como um ponto de impasse na consciência de classe do trabalhador. Assim, nasceu a luta das mulheres por melhores condições de trabalho. Já no século XIX havia movimento de mulheres reivindicando direitos trabalhistas, igualdade de jornada de trabalho para homens e mulheres e o direito de voto. Ao ser incorporada ao mundo do trabalho fabril a mulher passou a ter uma dupla jornada de trabalho. A ela cabia cuidar da prole, dos afazeres domésticos e também do trabalho remunerado. As mulheres pobres sempre trabalharam. A remuneração do trabalho da mulher sempre foi inferior ao do homem. A dificuldade de cuidar da prole levou as mulheres a reivindicarem escolas, creches e o direito a maternidade.

Na sociedade capitalista persistiu o argumento da diferença biológica como base para a desigualdade entre homens e mulheres. As mulheres eram vistas como menos capazes que os homens. Na sociedade capitalista o direito de propriedade passou a ser o ponto central, assim, a origem da prole passou a ser controlada de forma mais rigorosa, levando a desenvolver uma série de restrições a sexualidade da mulher. Cada vez mais o corpo da mulher pertencia ao homem, seu marido e senhor. O adultério era crime gravíssimo, pois colocava em perigo a legitimidade da prole como herdeira da propriedade do homem.

No século XX as mulheres começaram uma luta organizada em defesa de seus direitos. A luta das mulheres contra as formas de opressão a que eram submetidas foi denominada de feminismo e a organização das mulheres em prol de melhorias na infra-estrutura social foi conhecida como movimento de mulheres. A luta feminina também tem divisões dentro dela. Os valores morais impostos às mulheres durante muito tempo dificultaram a luta pelo direito de igualdade.

As mulheres que assumiram o movimento feminista eram vistas como "mal amadas" e discriminadas pelos homens e pelas mulheres que aceitavam o seu papel de submissas na sociedade patriarcal. A luta feminina é uma busca de construir novos valores sociais, nova moral e nova cultura. É uma luta pela democracia, que deve nascer da igualdade entre homens e mulheres e evoluir para a igualdade entre todos os homens, suprimindo as desigualdades de classe.

Após a década de 1940 cresceu a incorporação da força de trabalho feminina no mercado de trabalho, havendo uma diversificação do tipo de ocupações assumidas pelas mulheres. Porém, no Brasil, foi na década de 1970 que a mulher passou a ingressar de forma mais acentuada no mercado de trabalho. A mulher ainda ocupa as atividades relacionadas aos serviços de cuidar (nos hospitais, a maioria das mulheres são enfermeiras e atendentes, são professoras, educadoras em creches), serviços domésticos (ser doméstica), comerciarias e uma pequena parcela na indústria e na agricultura. No final dos anos 1970 surgem movimentos sindicais e movimentos feministas no Brasil. A desigualdade de classe juntou os dois sexos na luta por melhores condições de vida.

O movimento sindical começou a assumir a luta pelos direitos da mulher. Na década de 1980, quando nasceu a CUT, a bandeira das mulheres ganhou mais visibilidade dentro do movimento sindical. Surgiu na década de 1980 a Comissão Nacional da Mulher Trabalhadora, na CUT. A luta pela democratização das relações de gênero persistiu e com a Constituição Federal de 1988 a mulher conquistou a igualdade jurídica. O homem deixou de ser o chefe da família e a mulher passou a ser considerada um ser tão capaz quanto o homem.

Papel da Mulher na Sociedade ao longo da história -

Autoras: BESSA; Karla Adriana Martins

AGORA É A VEZ E A VOZ DA MULHER NA POLITICA BRASILEIRA!!

Publicado em: agosto 21, 2007

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

As raizes do "sucesso" do Brasil


2/11/2010, Jeffrey W. Rubin*, Huffington Post – The Roots of Brazil’s Success

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu e disseminado pelo Castor Filho

A importante e sólida vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais do domingo passado confirma a exemplar trajetória do Brasil, a partir da ditadura militar dos anos 1970s, até se converter na pujante democracia que é hoje. Exportações em expansão, eleições disputadas com plena transparência, e índices entusiasmantes de redução da pobreza, o Brasil continua a dar passos importantes no caminho de tornar-se potência mundial. E domingo o Brasil elegeu uma mulher, ex-combatente da resistência à ditadura e membro do Partido dos Trabalhadores, de tendências de esquerda. Tudo isso faz do Brasil moderno uma história de desenvolvimento bem sucedido em plena era da globalização, pleno de conteúdo político e de importantes lições históricas.

Um hemisfério com mais países com trajetória semelhante à do Brasil pode alterar todo o mapa geopolítico do mundo. A América Latina está demonstrando que democracia e respeito crescente aos direitos humanos podem conviver em harmonia com crescimento econômico – se houver projeto para incluir os mais pobres e as minorias. Nasce aí um projeto de desenvolvimento com características seculares e de não-violência, que pode ganhar impulso global.

Se esse projeto tiver de nascer e prosperar sem a dominação dos EUA, mas com os EUA como base complementar de poder político e cooperação econômica ao sul do canal do Panamá, então o projeto de modernidade secular pode ser resgatado do controle histórico que EUA e a Europa sempre tiveram sobre ele. De fato, ao promover a União das Nações Latino-Americanas (Unasul) e ao oferecer suporte econômico para os vizinhos Bolívia e Paraguai, o presidente Lula, que ainda governa, já deu passos significativos naquela direção, com o que o país já está plenamente qualificado para ocupar lugar no Conselho de Segurança da ONU.

(…) Vários analistas lembram que é preciso tempo para aprofundar reformas que, afinal, reduzam a desigualdade, melhorem a educação e controlem a destruição do meio ambiente. Mas só o crescimento econômico já ajudou a melhorar os padrões de vida dos mais pobres e liberou o governo propriamente político para, afinal, começar a cuidar dos problemas de raiz. Resultado disso, economistas, políticos e especialistas em política latino-americana e brasileira nos EUA já começam a projetar para o futuro os sucessos que o Brasil já alcançou. Vários têm partido da experiência bem-sucedida no Brasil, para extrair dessa experiência a lição de que a globalização pode ser dirigida – por tecnocratas democraticamente empenhados e comprometidos com governos democráticos – para que produza, ao mesmo tempo, ganhos mensuráveis nos lucros das exportações e estabilidade eleitoral.

Mas seria ingenuidade supor que alguma economia crescerá por muito tempo antes da próxima crise econômica. E tampouco se deve imaginar que algum novo sistema democrático tem décadas de tempo para reduzir a miséria e a violência antes do próximo levante, da próxima onda de violência, ou da próxima intervenção militar suposta necessária para impor a ordem. Por isso é tão importante entender as origens do sucesso do Brasil, para que se construam políticas que permitam que as reformas econômica e política sejam reformas sustentáveis.

O Brasil é hoje uma história de sucesso na América Latina por várias razões que raramente se avaliam adequadamente.

Primeiro, a transição até a democracia, no Brasil, foi acompanhada por inúmeros e importantes movimentos de base, em vários casos, movimentos de ativismo radical. Aquele ativismo modelou a Constituição aprovada em 1988, que garante a descentralização de recursos e a participação dos movimentos sociais na construção das políticas. Amplos movimentos feministas, pela preservação do meio ambiente, pela distribuição de terras, pela agricultura familiar, de defesa das minorias homoafetivas, e os movimentos de favelas nos centros urbanos, que se espalharam pelo Brasil nos anos 1980s e 1990s também ajudaram a modelar profundamente o modo como os cidadãos brasileiros se foram democratizando e redemocratizando – como que para mostrar também a eles mesmos que a discussão política se fazia nas ruas, tanto quanto nas instituições formais, e que era preciso agir simultaneamente nas duas frentes.

Segundo, a transição brasileira para a democracia foi “gradual”, iniciada ainda no período em que os militares permaneciam no poder, pela emergência de um novo partido político, o Partido dos Trabalhadores (PT). Muito significativamente, o PT autodefiniu-se como partido de esquerda radical, mas que, já de início, rejeitou o leninismo e o comando político de URSS e de Cuba. Desde o nascimento, o PT deu destaque às práticas democráticas – assembleias, debate e discussão antes de qualquer decisão partidária – na organização interna e nas arenas políticas municipais, estaduais e nacionais.

Terceiro, no plano econômico, a democracia brasileira foi fortalecida pelos governos do presidente Lula, que, ao mesmo tempo em que promoveu o desenvolvimento da infraestrutura, da indústria e da produção agrícola para exportação, também promoveu a produção de etanol e de petróleo, que tornou o país autossuficiente em termos de energia. Os governos centrais sempre tiveram papel crucial no planejamento da economia e dos investimentos desde os anos 1930s, quando teve início a industrialização e o país buscou maior autonomia econômica, como resposta à recessão mundial.

Essa presença do Estado na economia várias vezes produziu benefícios de longo prazo, embora com alguns revezes. Durante a ditadura militar, os generais promoveram a infraestrutura e parcerias entre o Estado, o setor privado e investidores estrangeiros. Essas intervenções do Estado brasileiro na economia levaram aos anos chamados “do milagre brasileiro”, mas que conheceram também os picos mais baixos da autoestima, da autovisão da “grandeza do Brasil”, quando o país passou a depender de petróleo importado e de empréstimos externos. Na direção oposta à dos governos que os antecederam, os governo Lula responderam com a autossuficiência energética e com o pagamento de tudo que o país devia ao Fundo Monetário Internacional, FMI.

Todos os democratas devem saber ver que, na bem-sucedida história recente do Brasil, a mobilização dos movimentos sociais e a proeminência de um partido de esquerda, com visão social, tiveram papel de destaque, desde os anos da ditadura, antes da chamada “democratização”, ao longo de quase 30 anos de eleições.

Também merece destaque o ativismo social e o desenvolvimento de um partido que nasceu das ruas para as instituições, e de posições anticapitalistas para a aceitação de mecanismos de mercado, sem exigir que todos os demais partidos fizessem o mesmo. A democracia brasileira ainda é marcada por tensões entre as soluções políticas e como avançar na direção do equilíbrio econômico sustentado sem perder de vista as metas de bem-estar social.

Os democratas também devem saber ver que o planejamento econômico do governo, no qual o Estado tem papel crucial no que tenha a ver com investimento e propriedade, produziu resultados benéficos, tanto no plano econômico quanto no plano político. Planejamento de longo prazo, compromisso e expertise em planificação do Estado assentaram as bases do ‘boom’ econômico de hoje. Esse processo sofreu uma interrupção nos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, professor com tendências marxistas que, contudo, nos anos 1990s abraçou teorias de livre mercado e privatizou vários setores da economia brasileira.

O processo pode, agora, sofrer outra inflexão, uma vez que a presidenta eleita Rousseff busca parceiros no setor do petróleo para financiar seus ambiciosos projetos educacionais e ambientais. Como já se viu acontecer com as mobilizações populares e a radicalização de um partido político, que abraçou ideias da esquerda, mas não as velhas soluções da esquerda, os brasileiros têm agora boa chance de prosseguir na construção de um ‘modelo’ que mistura políticas econômicas de diferentes tipos e mantém a tensão entre o setor privado e o setor estatal, que não perde o poder de iniciativa.

Nessa tensão, precisamente, está a força da democracia brasileira. E daí se podem extrair importantes lições para o futuro. A inclusão de cidadãos – pobres, mulheres, indígenas, negros, classe média, setor privado – mediante diferentes modalidades de participação política e produção econômica aprofundou e fortaleceu a democracia brasileira. Esses cidadãos agora integrados, por sua vez, esperam que venham as reformas que lhes dará melhores condições imediatas de vida, mas que de nenhum modo brotariam nem só das eleições nem só dos mercados separadamente.

Para que haja reformas sustentáveis no mundo em desenvolvimento é indispensável que haja ativo movimento social e adesão total aos procedimentos democráticos, planejamento estatal da economia e respeito aos compromissos dos negócios e dos mercados. A presidenta Rousseff muito bem fará se continuar a desafiar as ortodoxias políticas e as ortodoxias econômicas, ao mesmo tempo em que continua a promover cada vez mais igualdade e mais inclusão social, no que pode vir a ser uma primeira história de sucesso social econômico e global, no planeta.

*Jeffrey W. Rubin é Professor de História Latino-americana e Pesquisa, no Instituto de Cultura, Religião e Negócios Globais da Boston University, onde dirige o Projeto “Reformas Sustentáveis”.



Confira:
http://www.viomundo.com.br/politica/jeffrey-rubin-as-raizes-do-sucesso-do-brasil.html

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Equipe da Dilma em ação!!

A presidenta eleita Dilma Rousseff deu início hoje de manhã à série de reuniões que fará sobre temas de infraestrutura e avaliação do andamento das obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). A primeira reunião, sobre transportes, foi na Granja do Torto, onde a presidente eleita está morando desde ontem (15). Participaram da reunião a coordenadora do programa, Miriam Belchior, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, o deputado Antonio Palocci (PT-SP), um dos coordenadores da equipe de transição. A reunião serviu para informar a presidente eleita sobre o andamento das obras do PAC na área de transportes. Dilma fará outras reuniões para se atualizar sobre as demais áreas do programa.

Domingo à noite, Dilma recebeu do presidente do PT um relato sobre as expectativas de cada partido aliado sobre a participação no governo. Dutra conversou com as lideranças das dez legendas que fizeram parte da base que elegeu Dilma, além do PP, que formalmente não fez parte da coligação, mas declarou apoio informal à então candidata na esfera nacional.

Além dos 11 partidos, Dutra sinalizou que falará com o PTB, partido que participou da coligação que apoiou o candidato derrotado do PSDB José Serra, mas que no Congresso, faz parte da base de apoio ao governo.

Fonte: Agência Brasil

"A História supera o mito"

Políticas de Governança: A história supera o mito
Por: Luiz Roberto Alves*

Luiz Roberto Alves
Luiz Roberto Alves


Alguns entre muitos leitores que comentaram os dois textos anteriores, sobre o discurso eleitoral presente (bom que as pessoas nos leiam e reajam à leitura!!) imaginaram que o conceito de mito poderia caber ao presidente Lula. Eis o problema. Os melhores estudos sobre mito foram feitos pouco depois da era Hitler, após a bárbara propaganda do Reich, aliada da morte. O mito deve congelar a história, fazê-la parar no interior do poder personalista, por obra de maquiagem que não revela defeitos, limites e lutas nas quais a pessoa se empenha comunitariamente. Todo o discurso deve “engolir” a história e fazê-la perfeita, como se o presente discursivo fosse o futuro já concluído e feito.

Nosso presidente é o contrário: abre-se ao improviso, de que tanto se gosta como se desgosta; anuncia claramente o que pensa e o que faz sempre passa por intensas discussões públicas; encarna um governo aberto, nas muitas virtudes e nos ocasionais defeitos. Anti-mito. Convém que não positivemos o conceito de mito e sejamos críticos diante do poder atual da mídia, que nas suas conversinhas ligeiras e pouco pensadas costuma usar muito mal a idéia de mito. O polêmico e às vezes contraditório Pelé-Edson Arantes nos salvou do mito e o que fica são belíssimos dribles e gols, emoção esportiva.

A candidata Dilma trabalha o futuro com base sólida no passado recente e uma visão de nova qualidade e nova quantidade na governança. Como ocorreu com os 13 pontos, ou diretrizes, de 2002, os novos 13 pontos não se completam sem muita participação popular, sem conferências, sem desafios, sem ousadia pública. As diretrizes compõem a história aberta (e inconclusa), quer por uma desejada revolução educacional, pelo estabelecimento de ciência e tecnologia inovadoras e sedimentadas na linha de novo desenvolvimento e pelo salto indispensável para além de qualquer fome e qualquer exclusão.

O candidato Serra começa seus discursos pelo moralismo seletivo, um suposto selo “do bem”, estimula a desmedida e desnecessária intervenção eclesiástica e se ergue como um totem de tudo o que foi feito sob o sol do Brasil nos últimos anos. Cabe lembrar (para os bons ouvintes e leitores da Bíblia) que o Cristianismo da Galiléia é anti-mítico, pois é profundamente histórico. A mídia em torno de Serra abriu caminho deliberado para a construção do mito, da idolatria, do governo feito, completo, pronto, o qual prescinde ou deixa de lado o povo, exceto seu exclusivo voto. Trata-se de um candidato a presidente em país aberto, problemático e diverso ou um candidato a soberano?

Felizmente a história concreta, memorial, vivida e sofrida (como lembraram tantas vezes Saramago, Vargas Llosa e Guimarães Rosa) supera o mito e a eleição vai sendo construída pela inteligência do povo; nesse movimento, vai-se definindo um governo que necessitará das mãos e da capacidade produtiva das populações, seus afetos e suas lutas. Se a fome primeira, do ventre, vai sendo superada, tantas novas fomes e desafios precisam ser vencidos, o que não se faz com a ilusão do mito, mas com o jogo democrático da verdade histórica.

*Luiz Roberto Alves é professor da Universidade Metodista

Jornal abcd maior, 29.10.2010

Somos uma "Identidade em construção"

"Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo.
Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado.
Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo.
Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si...
Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros...


A distância social mais espantosa do Brasil é a que separa e opõe os pobres aos ricos. A ela se soma a discriminação que pesa sobre índios, mulatos e negros...

Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados.
Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre marcados pelo exercício da brutalidade sobre aqueles homens, mulheres e crianças.
Esta é a mais terrível de nossas heranças.
Mas nossa crescente indignação contra esta herança maldita nos dará forças para, amanhã, conter os possessos e criar aqui, neste país, uma sociedade solidária ".



Mas foi essa gente nossa, feita da carne de índios, alma de índios, de negros, de mulatos, que fundou esse país. Esse "paisão" formidável. Invejável. A maior faixa de terra fértil do mundo, bombardeada pelo sol, pela energia do sol. É uma área imensa, preparada para lavouras imensas, produtoras de tudo, principalmente de energia. A Amazônia devia ser um país, porque é tão diferente. O nordeste, até a Bahia... outro país que é diferente. A Paulistânia e as Minas Gerais juntas são outra gente... O sul, outra gente... Esse povão que está por aí pronto pra se assumir como um povo em si e como um povo diferente, como um gênero humano novo dentro da Terra. É claro que eu tinha de fazer um livro sobre o Brasil que refletisse de certa forma isso. E vivi fazendo pesquisa, e vivi muito com negros, brasileiros, pioneiros de todo o lugar do Brasil. E li tudo que se falou do Brasil. Então estava preparado pra fazer esse livro. E gosto dele. Tenho orgulho do fundo do peito de ter dado ao Brasil esse livro. É o melhor que eu podia dar. Gosto muito disso.
Que bela história tem esse povo brasileiro...

Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/estudosbrasileiros/povobrasileiro/povobrasileiro3.htm


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Resenha - Publicação TCC-2001

" Os valores da minha vida são fundamentais. Sei que vou receber pressões para mudá-los...

... pois estes valores dão sentido ao meu trabalho e a minha vida".

Airton Senna

domingo, 14 de novembro de 2010

Minha contribuição acadêmica/2001


A disposição para consulta pública na biblioteca municipal de Santo André:

SANTOS, Dulcinéa de Almeida. TCC graduação em Serviço Social. Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul. Programa de Renda Mínima de Santo André: Uma política que garante a inclusão social. Estudo Qualitativo e reflexões sobre uma política inclusiva ( pág 45). I Mostra Universitária – Santo André – Cidade do Futuro, Outubro/ 2001.

“ O programa de renda mínima de Santo André passou muitas coisas boas pra minha família... foi um despertar pra minha vida... o que eu ganhei é uma coisa que eu nunca vou perder, foi aprender, porque o dinheiro acaba.” ( depoimento da Dona Josefa, 44 anos, costureira, Cooperativa Olho Vivo )

Resumo:

1. Visão Mundial da deteriorização das políticas públicas de proteção social

2. Uma proposta de inserção social frente ao Neoliberalismo: a Renda Mínima

3. As raízes do Programa de Renda Mínima no Brasil

4. O Programa de Renda Mínima de Santo André: Uma política de inclusão social?

5. Mensurar o nível de mudança nas famílias e o envolvimento dos profissionais nesta proposta


Problema: Será que o programa de Renda Mínima do Município de Santo André é uma politica social eficiente capaz de garantir padrões básicos de cidadania a população?

Objetivo: Compreender as famílias inseridas no programa visando mensurar a qualidade de vida neste processo de inclusão, bem como a atuação do profissional de Serviço Social neste contexto.

Metodologia da Pesquisa:

· Pesquisa qualitativa

· Abordagem dialética

· Trajetória Profissional e grau de envolvimento dos técnicos no Programa Social

· Amostra intencional

· Estudo de caso e resgate parcial da História de Vida das famílias

· Análise bibliográfica, documental e entrevistas para o mapeamento da qualidade do Programa de Renda Mínima de Santo André.

Base Conceitual:

9. O Programa de Renda Mínima é uma política de proteção social no Brasil baseado em experiências européias;

10. O Governo Federal apenas repassava responsabilidades aos Estados e Municípios sem transferência de recursos

11. Modelos de Programas de Renda Mínima já implantados no Brasil.

Conclusões:

· O assistente social pode legitimar sua intervenção social através de políticas públicas de inclusão que favorecem a ampliação da participação e a descentralização do poder, articulando oportunidades ás famílias que estão a margem da sociedade, despertando uma proposta de mudança e legitimando o ideal utópico e premissas da categoria profissional;

· O Programa de Renda Mínima de Santo André é uma política de inserção social, tanto no que diz respeito ao envolvimento da equipe técnica quanto na percepção das famílias pesquisadas, servindo de exemplo para outros países;

· Muitas famílias passaram a ter um projeto de vida, entendendo o sentido da participação para a mudança, resgatando sua Cidadania.


Vamos refletir...


Não há tempo para nada !


Passamos nossos curtos dias mergulhados em tarefas e compromissos tentando atingir metas muitas vezes infundadas em nossa realidade... para chegar a algum lugar que não almejamos.


Não há tempo para ouvir as pessoas, esperar, abraçar, refletir.

Mas quem determinou isto?

Nós mesmos. Por aprendizagem ou escolha, decidimos viver assim e não percebemos quem está a nossa frente.

Quem quer viver para sempre com o mesmo corpo físico... com a mesma personalidade... hábitos, defeitos e virtudes?

Com o infinito ao seu dispor, com o tempo que não termina trazendo a certeza de que o amanhã existirá?


Viver para sempre. É confortável, mas também desesperador.

O infinito se torna uma prisão da mente que nada quer a não ser mais uma chance. E quem deseja mais uma chance é porque já perdeu alguma.

Somente a vida finita traz a certeza de que o amanhã pode não existir e de que só existe o hoje e a única chance é o agora. Chance de mudar, reparar, ampliar, aprender, AMAR, sem adiar.


Mas parece que insistimos em viver como se nunca fossemos morrer ... esperando que amanhã exista mais uma chance. Adiamos a vida e a perdemos sem desconfiar que a esta vontade está adormecida esperando que algo aconteça e a faça despertar... sem perceber que este despertar é a vontade de viver para sempre, desta vez não mais no infinito, mas na continuidade do “Ser”.

Quero viver para sempre, com o tempo finito e com o infinito desejo de crescer e mudar a cada lição apreendida; vencer as dificuldades sem precisar pedir por mais uma chance e transformar a minha vida em uma chance de melhorar.

E o amor ao próximo ?

Precisamos encontrar um tempo para alguém...

Geralmente tudo nos passa desapercebido... estamos perdendo nossa sensibilidade para os valores simples e verdadeiros.

Quanto tempo dedicamos ao outro?

Precisamos aprender a ouvir, sentir, responder...


Estamos “carentes” de gente, de contato, de comprometimento.
Basta perguntar “como você está?” Estou certa que a resposta virá!

Precisamos aprender a ouvir e a se importar com a história do outro. Não importa que história seja, mas que seja a do outro.

Precisamos encontrar “um tempo” para dedicar a solidariedade: aconchegar, dividir, dar opiniões sinceras...

Pronto! Está feito!

Todos hão de se sentir felizes: quem dá e quem recebe.

É muito fácil: basta querer e dar valor ao que é natural e fraterno... sem esperar “recompensas” .


Então... vale a pena refletir!!


Desejo a todos muita paz no coração!